Os efeitos do treinamento aeróbico de longo prazo geram benefícios diversos ao idoso ativo, quando comparado com seus pares sedentários: perfil de composição corporal mais favorável, (incluindo diminuição da gordura total e da gordura abdominal) maior massa muscular nos membros, maior densidade mineral óssea nas regiões de sustentação do corpo, maior resistência à fadiga muscular, maior capacidade de transporte e utilização de oxigênio, maior débito cardíaco, menor estresse cardiovascular durante o exercício e atividades submáximas, menor risco de desenvolvimento de doenças coronarianas, diminuição de reações inflamatórias, melhor sensibilidade à insulina e controle da glicos e, melhor perfil lipídico, maior velocidade de condução do impulso nervoso, melhor capacidade de coordenação motora, entre outros. Para os idosos familiarizados com o treinamento na musculação, existem vantagens extras como 30 a 50% a mais de força, perfil de composição corporal ainda melhor do que os indivíduos que praticam apenas exercícios aeróbicos, (menor % de gordura e níveis maiores de massa magra) além do aumento da densidade mineral óssea em locais específicos. Estas vantagens são o fruto de anos de prática regular de exercícios aeróbicos e musculação. Mas também existem adaptações significativas que impactam na saúde e integridade física do idoso sedentário que quer começar a se exercitar. Vejamos alguns exemplos de adaptações em indivíduos idosos previamente sedentários, começando com os exercícios aeróbicos:
O treinamento aeróbico realizado com intensidade acima dos 60% do consumo máximo de oxigênio, com uma freqüência de pelo menos 3 vezes por semana e duração de no mínimo dezesseis semanas aumentou significativamente a capacidade aeróbica em idosos e indivíduos de meia idade saudáveis.
Três meses ou mais de treinamento aeróbico de intensidade moderada são capazes de gerar adaptações cardiovasculares positivas evidenciadas tanto durante o repouso, quanto durante a resposta aguda ao exercício.
Estudos realizados com idosos que apresentavam sobrepeso demonstraram que o exercício aeróbico moderado, sem controle paralelo da dieta, foi capaz de reduzir de 1 a 4 % a massa corporal durante um período de 2 a 9 meses, magnitude de perda similar à encontrada em estudos com jovens também acima do peso e que também não controlaram a dieta.
O treinamento aeróbico ainda pode induzir uma série de adaptações metabólicas favoráveis, incluindo o controle da glicemia e preferência de utilização da gordura como fonte de energia durante o exercício submáximo.
Exercícios leves com sustentação do peso do corpo, como caminhadas de 3 a 5 vezes por semana com duração acima de 1 hora, tem um efeito modesto, ou nulo, na densidade mineral óssea em mulheres pós menopausa (0 a 2% de aumento nos quadris e coluna). Entretanto, atividades como essa parecem diminuir o ritmo da perda de densidade mineral óssea relacionada à idade (0,5 a 1% por ano em mulheres sedentárias), além de diminuir o risco de fraturas. Os exercícios de maior intensidade produzem melhor efeito na densidade óssea em mulheres pós menopausa. Um estudo realizado com homens idosos demonstrou menor perda de densidade óssea na região lombar entre aqueles que corriam acima de nove vezes por mês, comparado com indivíduos que apenas trotavam com menor freqüência.
Estas entre outras adaptações devem servir de estímulo ao idosos que ainda não engajaram em um programa de exercícios aeróbicos regulares. Mas não basta o exercício aeróbico. Um estudo de revisão detectou que, entre 36 estudos, apenas 8 encontraram aumento de massa muscular como adaptação ao treinamento aeróbico e que este aumento não passou de 1 kg. Cabe ao treinamento de força gerar adaptações mais efetivas no aumento da massa muscular. Estas e outras adaptações do treinamento de força realizado em idosos previamente sedentários serão o foco do nosso próximo informativo.
Referência:
1- ACSM. Exercise and physical activity for older adults. Med Sci Sport Exer, 2009.